Consórcio para empresas: entenda como funciona o processo

Você é dono de uma transportadora e possui vários desafios em seu trabalho. Alguns deles estão relacionados à frota, porque é preciso renová-la, informatizá-la e implementar tecnologias que ajudarão o processo. Parte desses obstáculos pode ser resolvida com o consórcio para empresas.

Essa é uma alternativa inteligente para reduzir custos, melhorar o seu trabalho na logística e ter menos despesas com manutenção e combustível. De quebra, consegue comprar novos veículos e substituir os antigos sem pagar juros.

Parece mentira, não é mesmo? Mas acredite: você alcança vários benefícios ao optar por essa modalidade. É por isso que vamos tratar desse tipo de consórcio no post de hoje.

Entre os assuntos que abordaremos estão:

  • as vantagens do consórcio direcionado para empresas;

  • a influência do planejamento financeiro;

  • a compra de uma cota por meio de CNPJ;

  • os lances e o processo de contemplação;

  • o uso da carta de crédito pela empresa;

  • a economia gerada para a corporação.

Que tal saber mais? Aproveite e acompanhe!

As vantagens do consórcio para empresas

O consórcio é um sistema de autofinanciamento no qual você adquire cotas para comprar um bem. Essa modalidade está disponível para pessoas físicas e jurídicas, mas este post foca somente na segunda opção.

A ideia do consórcio empresarial é facilitar a aquisição de bens pela sua organização. Sendo proprietário de uma transportadora, por exemplo, você tem a possibilidade de renovar toda a sua frota sem precisar fazer empréstimos ou investir todo o seu capital de giro (montante reservado para as operações diárias) para isso.

Assim, é possível deixar o capital de giro reservado para o pagamento de contas de energia elétrica, água, telefone, e para honrar os compromissos com os fornecedores. Ao mesmo tempo, o saldo de caixa não é prejudicado porque o consórcio possibilita pagar valores reduzidos, com prazos extensos e de forma parcelada.

Por essas características já se consegue entender que o consórcio apresenta diversos benefícios às empresas, certo? Porém, outros ainda podem ser especificados. Veja cada um deles a seguir:

Parcelas menores que as do financiamento

A aquisição de uma cota de consórcio se torna mais barata do que a contratação de um empréstimo ou financiamento. No segundo caso, há o pagamento de juros e outros valores incidentes, como Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Também pode ser solicitado um montante relativo à entrada.

No consórcio, há a incidência de taxa de administração, que é uma remuneração paga pelos serviços prestados para formar, organizar e administrar o grupo. O valor varia de acordo com a administradora.

Possibilidade de antecipar, reduzir ou quitar parcelas

O consorciado pode antecipar parcelas, reduzi-las por meio de amortização ou quitar o consórcio totalmente. Com isso, pode-se diminuir o tempo de duração do pagamento e renovar a frota mais rapidamente.

Possibilidade de antecipar a contemplação

O consorciado pode adquirir o seu bem de duas formas: sorteio ou contemplação. No primeiro caso, conta-se exclusivamente com a sorte, já que o processo é realizado por meio da retirada de bolinhas de um globo, conforme determina a legislação.

Já no segundo caso, o consorciado tem a oportunidade de fazer um lance no valor de uma quantidade X de parcelas para tentar antecipar a contemplação. No dia do sorteio, são verificadas todas as ofertas dos consorciados, e ganha aquela que tiver valor mais alto.

É importante destacar que existe a obrigatoriedade de a administradora realizar pelo menos um sorteio todos os meses.

Compras à vista e com descontos

A contemplação permite que o consorciado receba a sua carta de crédito, ou seja, um documento que corresponde ao montante escolhido na hora da contratação do bem. É a partir desse recebimento que se pode adquirir o bem escolhido na compra da cota, como um veículo.

Ele pode ser comprado como se fosse à vista, o que assegura descontos na hora da negociação. O poder de compra também é mantido sempre atualizado, porque o valor da carta de crédito é alterado para cima ou para baixo conforme o preço do bem.

Por exemplo, se o objetivo é comprar um caminhão tal, e seu valor sofrer alterações durante o período do consórcio, o valor da carta de crédito e das parcelas também é atualizado. Essa medida garante que você possa adquirir o veículo à vista para sua empresa.

A influência do planejamento financeiro

A gestão de uma empresa exige o cumprimento de um bom planejamento financeiro. Este item também influencia o consórcio, porque é assim que se pode atingir mais objetivos, aproveitar melhor os recursos e potencializar os resultados.

No consórcio, sua empresa pode adquirir as cotas necessárias para que o planejamento seja cumprido. Porém, é importante atentar ao tempo de pagamento das parcelas, já que ele pode durar alguns anos de acordo com a modalidade contratada.

Como planejar as finanças da empresa para todo esse período? Confira algumas dicas que vão ajudá-lo:

Atente para a concorrência e as tendências do mercado

O sucesso de qualquer organização depende da observação às tendências de mercado e às ações da concorrência. Oferte serviços e produtos que atendam às exigências dos clientes e preveja demandas para se antecipar. Isso vai garantir que a sua empresa esteja preparada e inove continuamente.

Planeje os investimentos

O consórcio em si já é um investimento, porque você vai utilizá-lo para melhorar a estrutura da sua empresa, como a renovação da frota. No entanto, é necessário aplicar mais valores para ampliar as instalações, modernizar sistemas de produção e de gestão etc.

Por isso, recomenda-se fazer um planejamento de todos os investimentos a serem realizados no período do consórcio. Considere que nem todas as aplicações realizadas vão trazer o retorno necessário em pouco tempo. Portanto, deve-se evitar utilizar todo o capital de giro da companhia.

Caso você adote essa postura, pode ter problemas que vão ocasionar atrasos no cumprimento dos compromissos e até mesmo a necessidade de realizar empréstimos para isso. Neste caso, os benefícios conquistados pelo consórcio são eliminados.

Escolha a melhor opção

As diferentes opções de consórcio devem ser analisadas para verificar qual é o plano mais adequado ao orçamento empresarial. Efetue uma comparação entre as parcelas e o total da carta de crédito com o valor disponível para pagamento.

Além disso, recomenda-se analisar as taxas que incidem e o que está sendo oferecido para ter certeza de escolher o melhor custo-benefício.

Considere os imprevistos

Um negócio pode passar por altos e baixos durante o período do consórcio. Essa questão depende de diversos fatores, como gastos repentinos, problemas na economia, falta de pagamento dos clientes (o que ocasiona um impacto negativo nas finanças empresariais) etc.

Considere esses imprevistos e mantenha um bom valor de capital de giro para essas situações. O cálculo do valor necessário deve contabilizar contas a receber, caixa, estoque e conta-corrente bancária.

A compra de uma cota por meio de CNPJ

O consórcio é uma modalidade regulamentada pela Lei 6.404/76, chamada de Lei das Sociedades por Ações. O processo de entrada nesse tipo de investimento deve estar de acordo com o que especifica essa legislação.

Veja a seguir o passo a passo para adquirir a cota para sua empresa e assegurar que não haverá imprevistos nesse processo:

Procure uma administradora confiável

O primeiro passo para comprar uma cota com CNPJ é procurar uma administradora, empresa que comercializa as cotas. Você deve se certificar de sua credibilidade e confiança. Uma boa indicação é o tempo de existência do negócio.

Outros detalhes que devem ser verificados são as autorizações do Banco Central (Bacen) — as principais para que a empresa funcione, já que o consórcio é regulamentado por essa entidade — e da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC).

Verifique os planos e grupos disponíveis pela empresa

Quando estiver escolhendo uma administradora, entre em contato com um representante. Ele apresentará os planos e os grupos disponíveis, que podem estar em andamento ou em formação.

No primeiro caso, o grupo já passou por um ou mais sorteios e há consorciados já contemplados. Na segunda situação, não foi realizada a assembleia de constituição, o que significa que a administradora busca o número mínimo de integrantes para que o processo se inicie.

Cada grupo é constituído por determinado número de empresas e conta com um prazo estipulado previamente pela administração do consórcio. Mesmo que ele esteja em andamento, você não sofre prejuízos, porque começa a participar dos sorteios imediatamente.

Lembre-se de que o momento em que você entra em contato com o representante da administradora é perfeito para sanar possíveis dúvidas que tenha. É assim que você conseguirá assinar o contrato com segurança.

Analise o contrato com cuidado

O contrato com a administradora do consórcio deve ser bem analisado para evitar imprevistos antes e depois da contemplação. Os principais itens aos quais se deve ter atenção são:

  • valor da carta de crédito — é o montante que está sendo contratado e que poderá ser utilizado para comprar o bem após a contemplação;

  • prazo de duração do grupo — é o período que você terá para pagar o bem, ou seja, o limite máximo de parcelas que pode ser contratado;

  • percentuais de contribuição e demais despesas — são os valores incidentes sobre o valor da carta de crédito, como taxa de administração, seguro e fundo de reserva (se existirem);

  • garantias — são fornecidas após a contemplação;

  • regras de contemplação — são as maneiras pelas quais você pode ser contemplado, seja por lance ou por sorteio; também indicam de que forma as prestações podem ser antecipadas;

  • cláusulas contratuais — apresentam as condições do consórcio e confirmam as condições indicadas pelo vendedor.

Lembre-se ainda de ter uma das vias do contrato e/ou a cópia do regulamento do grupo para se certificar das condições. Outro ponto relevante é que você pode solicitar um extrato dos sorteios se o grupo já estiver em andamento. Isso ajuda a garantir que as contemplações estão ocorrendo conforme o esperado.

Os lances e o processo de contemplação

O consorciado pode ser contemplado de duas formas: por sorteio ou lance. O processo de contemplação deve seguir as regras previstas na legislação para garantir que haja igualdade de oportunidades para todos os integrantes do grupo.

A contemplação ocorre sempre durante a assembleia. Esta pode acontecer de forma presencial ou transmitida pela internet, e o processo deve ser transparente e permitir que qualquer pessoa possa acompanhar o sorteio. As normas estão definidas em contrato, por isso, vale a pena observar este ponto.

Vamos explicar melhor cada um dos tipos de contemplação:

Sorteio

Esse é o formato padrão, no qual o consorciado conta com a sorte. O sorteio é composto por 2 números: um deles relativo ao grupo e o outro à cota. A lei determina que o sorteio deve ser feito por meio de bolinhas numeradas inseridas em um globo giratório, assim como ocorre na Loteria Federal. O total de números depende da quantidade de participantes.

Lance

Os lances são realizados antes de o sorteio acontecer. É o próprio consorciado quem procura a administradora para oferecer o valor, o qual se refere a um percentual da carta de crédito. Essa é, portanto, uma possibilidade de antecipar a contemplação.

Existem períodos do ano em que há menos competitividade pelo lance. Geralmente, é mais fácil no começo do ano, porque as empresas acabaram de gastar com o 13º salário dos colaboradores e têm menos dinheiro em caixa.

Outro ponto importante são os diferentes tipos de lance. Veja quais são eles:

  • lance embutido — é destinado para consorciados que não possuem o valor completo. A ideia é descontar uma parte do valor da carta de crédito para ser contemplado sem precisar pagar algo. Por exemplo: um consórcio da ordem de R$ 300 mil valerá R$ 270 mil na contemplação deste lance com desconto de 10%;

  • lance livre — é o modelo mais comum, porque o consorciado oferece o montante relativo a um determinado número de parcelas. Por exemplo: será pago R$ 30 mil e o total da carta de crédito é de R$ 300 mil;

  • lance fixo — ocorre quando a administradora define um valor que deve ser aplicado para a contemplação. Neste caso, todos os participantes fazem a mesma oferta e participam de um sorteio específico.

Depois de ser contemplado em qualquer um desses modelos, você receberá sua carta de crédito e poderá adquirir o seu bem como se fosse pago à vista. A administradora pode exigir alguma garantia para liberar o documento. Dessa maneira, esteja atento a essa questão no contrato.

Também é comum a obrigatoriedade de apresentação de alguns documentos como garantia de pagamento das parcelas restantes. A aquisição do bem pode ser em valor mais caro ou mais barato, mas, no segundo caso, o valor que sobrar deve ser utilizado para abater os pagamentos seguintes.

É possível escolher um bem já usado ou diferente daquele especificado na carta de crédito. Para tanto, basta avisar a administradora de que vai usar a carta de crédito e, assim que a aquisição for realizada, o pagamento é feito diretamente ao vendedor, e você não precisa se preocupar.

O uso da carta de crédito pela empresa

A carta de crédito é o documento que permite adquirir o seu bem. É comum desejar utilizá-la assim que obtê-la, mas você também pode encarar o consórcio como um investimento futuro. Assim, pode deixar o valor aplicado para resgatá-lo somente ao final.

Caso você pense nessa possibilidade, verifique se o valor pode ser investido em um fundo que apresenta boa liquidez, rentabilidade e segurança. O objetivo é evitar a perda do poder de compra no momento da utilização da carta de crédito. Observe que isso deve estar especificado em contrato.

Além do mais, você deve analisar diferentes fatores: se você deseja renovar a frota de veículos da sua empresa, por exemplo, precisa fazer projeções de demanda de serviço para o automóvel que será comprado. Se ele ficar parado acabará representando despesas, não lucro.

A carta de crédito também pode ser usada para quitar algum financiamento que esteja em nome da empresa. Isso é permitido desde a Lei dos Consórcios, a Lei 11.795/08, mas é importante que o valor contratado seja suficiente para o pagamento da dívida.

Outro detalhe que deve ser observado é que o financiamento deve ser do mesmo bem que se pretende adquirir com o consórcio. Por exemplo: se você tem uma cota de veículos, a dívida deve ser relativa a esse tipo de objeto.

Ainda é possível usar o valor da carta de crédito para pagar despesas da compra do bem. Por exemplo: você adquiriu um veículo e paga custos de documentação e taxas. Essa alternativa é viável quando o objeto desejado tem valor mais baixo que o contratado.

Por fim, é possível quitar uma parte das prestações do consórcio ou solicitar o recebimento do valor em dinheiro se o consorciado estiver regular. Entretanto, qualquer uma das opções deve estar determinada em contrato.

A economia gerada para corporação

O consórcio é uma modalidade de investimento que está crescendo cada vez mais. De acordo com dados da ABAC relativos ao primeiro trimestre de 2017, as vendas desse tipo de negócio cresceram 4,7%, e os negócios contratados tiveram uma elevação de 20,7%, passando de R$ 16,94 bilhões, nos primeiros três meses de 2016, para R$ 20,45 bilhões no período analisado.

O ticket médio aumentou 21,1%, e a procura por cotas dos mais diversos setores cresceu 4,7%. O que você pode estar se perguntando é: que motivos levaram a esse resultado positivo?

A resposta é simples: a economia gerada para usuários e empresas. O consórcio é a modalidade mais barata para se fazer investimentos e, no caso das empresas, ampliar sua estrutura, renovar a frota de veículos etc.

Isso ocorre porque não há cobrança de juros, o que faz com que haja um custo mais baixo em comparação com os financiamentos. Para se ter uma ideia, a taxa de administração geralmente é menor que 2% ao ano, enquanto um financiamento similar cobraria um índice entre 8% e 9%.

Essa diferença representa um montante significativo no total da operação, especialmente para empresas, que costumam adquirir mais cotas para renovar suas frotas, por exemplo.

Economia colaborativa

O consórcio tem a essência da economia colaborativa. Apesar de você adquirir o seu bem de maneira individual, a compra é baseada na coletividade, porque todos os consorciados pagam suas parcelas e o valor vai para um fundo coletivo, que é uma espécie de poupança.

É a soma dos pagamentos mensais que possibilita o recebimento do crédito pelos contemplados, que vão comprar o bem graças à carta de crédito. Então, entende-se que o consórcio não é um investimento centralizado, mas sim compartilhado.

Essa característica faz com que haja uma elevação da flexibilidade financeira. Outra vantagem é a redução de custos para o pagamento do bem, o que permite que você invista um valor menor e não pague juros para comprar o que precisa.

É importante salientar que os aspectos econômicos são ainda mais relevantes em épocas de crise, como a que o Brasil está passando agora. Com a inflação ainda desestabilizada e a Taxa Selic podendo ser revista a qualquer momento pelo Banco Central, fazer um investimento no qual esses elementos não interferem é um bom negócio.

Além disso, o consórcio é como um investimento mensal que sofre correção com o passar dos meses, o que assegura que o valor pago seja preservado. Portanto, sua empresa não corre o risco de perder dinheiro.

Assim, fica evidente que o consórcio é uma boa opção para empresas, tanto pela flexibilidade que possibilita quanto pela economia gerada. Outras vantagens são a burocracia reduzida, a facilidade do uso da carta de crédito, a manutenção do poder de compra, entre outras.

O único cuidado que se deve ter é com a seleção da administradora e do plano mais adequado para a sua empresa. Lembre-se sempre de ler o contrato com atenção e observar todos as suas particularidades.

Dessa forma, se você deseja ampliar seus negócios sem sofrer um grande impacto financeiro, aposte no consórcio. Seu objetivo será atingido, e sua empresa continuará podendo realizar outros investimentos e manter seu capital de giro.

Gostou de entender mais sobre consórcio para empresas? Aproveite e veja como podemos ajudá-lo! É só entrar em contato conosco.

 

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