Consumo desenfreado: o que é preciso para se controlar?

O estímulo ao consumo é uma ação recorrente na sociedade atual. A todo momento nos deparamos com propagandas que tentam nos convencer de que precisamos de certos itens que, na verdade, não apresentam sentido prático para nossas vidas. Isso acaba gerando comportamentos de consumo desenfreado, que não são bons para nossa saúde financeira e emocional.

Quem nunca se arrependeu de uma compra feita por impulso? Ou percebeu que o salário não tem durado até o fim do mês e que não está sendo possível fazer planos em médio e longo prazo com ele? Esses são sinais de que é hora de parar para refletir e fazer escolhas mais conscientes no dia a dia.

Se você quer adotar uma postura que ajude a diminuir o consumo e a economizar dinheiro, você está no lugar certo. Veja nossas dicas abaixo e saiba como deixar o desejo de comprar produtos desnecessários de lado recorrendo apenas a atitudes simples.

Tenha um planejamento financeiro

O primeiro passo para uma boa educação financeira é planejar o orçamento. Para isso, você pode usar planilhas no computador, aplicativos de controle financeiro ou recorrer a tradicionais blocos de anotações. Comece somando todos os seus gastos fixos, como contas de água e luz, alimentação, transporte, impostos etc.

Depois de entender o percentual do seu salário que vai para os custos básicos, inclua na lista as dívidas ou parcelas que estão em aberto no momento. Feito isso, é possível entender quanto do seu dinheiro está comprometido e quanto sobra para outros gastos, como compras supérfluas e poupança.

A dica é ser sempre fiel ao seu orçamento e destinar o valor certo para cada tipo de gasto. Caso seja necessário, separe seu dinheiro em contas diferentes para que o valor reservado para despesas fixas, ou que seria investido em uma poupança, não seja gasto com compras picadas ao longo do mês.

Além de ajudar você a ter clareza do quanto ganha e evitar ficar endividado, a organização financeira é fundamental para conseguir, pouco a pouco, reduzir os gastos desnecessários. Tendo uma planilha de controle financeiro, você pode se monitorar e deixar o consumo desenfreado bem longe de suas contas mensais.

Estabelecer limites de gastos supérfluos mensais

No seu orçamento, é importante definir intervalos financeiros para cada área da sua vida. As contas básicas comprometem a maior parte do seu salário, afinal, esses são os custos que você precisa para viver. No entanto, uma parcela deve ser separada para poupança ou investimento, de forma que você nunca fique sem dinheiro em uma emergência.

Mas ninguém vive só de obrigações, não é mesmo? Por isso, é preciso estabelecer um valor mensal que pode ser gasto em supérfluos. Nessa lista, você pode incluir itens como ingressos para o cinema, compras de roupas e uma saída no fim de semana. São gastos que não fazem falta, mas que garantem o seu entretenimento após um longo mês de trabalho.

Só não esqueça de se esforçar ao máximo para manter as compras sempre dentro do limite predefinido, sem prejudicar o pagamento das contas ou o investimento na poupança. Caso contrário, os itens supérfluos vão pesar no orçamento, e seu salário pode não durar até o fim do mês.

Registrar os gastos diários

Planejar o orçamento é importante, mas essa etapa não funcionará se você não acompanhá-la bem de perto. Se os gastos foram assinalados em uma planilha sem o devido controle sobre eles, dificilmente você conseguirá cumprir seus objetivos.

Por isso, o registro é um grande aliado, e é necessário se acostumar a anotar todos os dias os valores que você gastou. Isso vale para tudo: contas básicas, compras supérfluas e investimentos. A ideia é que, ao fim do mês, seja possível saber exatamente tudo o que foi gasto e quanto dinheiro foi poupado.

No começo pode até ser difícil fazer esse registro, pois é normal que você se esqueça de anotar algum gasto ou mesmo sinta desânimo em continuar utilizando essa estratégia. Mas não desista! Com o tempo ela se torna mais fácil. Assim, não vai demorar para que o planejamento se torne um hábito consolidado na sua vida.

Não comprar de forma impulsiva

Quem compra por impulso geralmente toma essa atitude porque enxerga uma ótima oportunidade no negócio, mas se esquece de que o primeiro contato com um produto não é suficiente para descobrir se ele é realmente necessário.

Todos nós conhecemos essa regra, mas como evitar as compras impulsivas? A dica é não ceder ao primeiro desejo de compra. Cada vez que sentir vontade de adquirir algo, pare um pouco, respire fundo e faça sempre três perguntas a si mesmo:

  1. Eu preciso mesmo comprar esse produto?
  2. A compra pode ser adiada?
  3. É possível conseguir um preço menor por ele?

Se você está em um estabelecimento físico, o ideal é deixar o local e refletir se o produto ou serviço é realmente necessário para sua vida e se a oferta cabe mesmo em seu orçamento. Quando estamos em uma loja, o clima de consumo pode dificultar a escolha racional e estimular compras desnecessárias.

Por isso, é importante não se deixar envolver, nunca realizar uma compra sem pesquisar muito e analisar seu orçamento com cuidado antes de fazer qualquer gasto. Muitas atitudes de consumo desenfreado podem ser evitadas com simples pesquisas.

O mesmo vale em lojas virtuais: salve o produto no carrinho, feche a página e pesquise mais sobre ele. Caso o produto tenha utilidade e seja mesmo imperdível, ele pode ser incluído sem problemas em seu orçamento do mês seguinte.

Para superar o consumo impulsivo também é importante se conhecer. Muitas pessoas realizam compras quando estão tristes, buscando a satisfação momentânea. Se você tem esse sentimento, procure o equilíbrio. Evite se expor a tentações, tenha disciplina na sua educação financeira e busque alegrias mais saudáveis para a sua rotina.

Usar o cartão de crédito com moderação

Esse é um dos principais vilões do consumo desenfreado. Usar o cartão pode gerar a ilusão de que é possível fazer compras mesmo sem ter dinheiro para pagá-las. No entanto, muitas pessoas se assustam quando recebem a fatura e se dão conta do montante que foi gasto durante o mês.

Por isso, é preciso entender que o pagamento do cartão de crédito vai sair do mesmo salário com o qual você pagará as compras à vista. Assim, os gastos com esse recurso devem estar incluídos no seu planejamento financeiro.

Apesar da fama ruim quando se fala em consumismo, o cartão pode ser um forte aliado se usado com inteligência. Isso porque existem modalidades de cartões que oferecem diversos benefícios interessantes, como recompensas em milhas e o retorno de parte do dinheiro das compras realizadas ao longo do mês.

Outra vantagem para quem administra bem o cartão de crédito é poder acompanhar seus gastos em tempo real por aplicativos no celular, o que é oferecido pela maioria dos bancos atualmente. Além disso, é possível pagar à vista uma conta que só será descontada no próximo mês e, com isso, usar o dinheiro para investir em uma aplicação.

No entanto, para aproveitar esses benefícios do cartão de crédito é necessária muita disciplina e atenção no dia a dia. Caso essa não seja uma boa alternativa para você, o ideal é usá-lo apenas quando necessário e, se possível, deixá-lo em casa para não cair na tentação de comprar.

Evitar compras parceladas e financiamentos

Assim como o cartão de crédito, essas são duas coisas que podem minar o seu orçamento. Algumas pessoas acreditam que parcelar o valor torna a compra mais fácil de ser paga, mas a realidade é que muitas vezes vale mais a pena fazer o pagamento à vista.

É preciso entender que aquele dinheiro vai sair da sua fonte de renda, mesmo que em suaves prestações. E pior: muitas vezes o parcelamento aumenta a conta, pois você perde descontos ou precisa pagar juros.

Financiamentos podem ser mais prejudiciais ainda, já que, com a adição dos juros, você pode acabar pagando duas vezes mais do que o preço inicial.

Dessa forma, a dica é evitar realizar uma compra parcelada ou financiada. Sempre que considerar isso, analise com cuidado o seu planejamento financeiro. O ideal é que os valores das parcelas em um mês não ultrapassem 30% da sua renda, porque pode ficar difícil honrar todos os pagamentos.

Caso você queira adquirir bens duráveis, como uma casa ou um carro, que são difíceis de pagar à vista, uma boa opção é recorrer aos consórcios. Eles contam com taxas bem menores do que os financiamentos e podem ser pagos em parcelamentos comuns.

Encontrar formas de juntar e investir o dinheiro

O seu objetivo deve ser nunca gastar todo o seu salário. Pode parecer difícil colocar essa ideia em prática, mas é o caminho certo para ter uma relação saudável com o dinheiro e evitar dificuldades financeiras. Por isso, encontre formas de cortar alguns gastos e destinar determinado valor a um fundo de reserva.

O ideal é separar esse dinheiro logo no começo do mês e não mexer nele, a não ser em casos de emergência. Mas se você tem muita dificuldade para fazer isso, contratar um consórcio também é uma boa opção. É como se você pagasse uma conta qualquer, mas, na verdade, se trata de um investimento, e não de um gasto.

Na hora de investir, outra boa escolha é usar fundos de renda fixa, pois seu dinheiro rende muito mais que na poupança tradicional e é possível até mesmo sacá-lo caso surja alguma situação de emergência.

Até mesmo aqueles investimentos em que seu dinheiro fica retido apresentam vantagens, já que você não poderá usá-lo em uma compra impulsiva. Seja qual for a forma de poupar e investir, o importante é ter sempre uma reserva de dinheiro para alcançar aos poucos a independência financeira.

Pesquisar bem antes de adquirir qualquer item

Como o consumo desenfreado é uma prática bastante comum nos dias de hoje, é fácil encontrar lojas que se aproveitam desse fato para aumentar o preço dos produtos e explorar ao máximo o momento da venda.

Por exemplo: se um item custa R$ 200, a loja pode aumentar o valor para R$ 250 e, com desconto, ele sairá por R$ 199,90. Ou seja, se você realizar a compra, estará fechando um negócio que não é nem um pouco vantajoso.

Tudo isso poderia ser evitado com uma pesquisa atenta em lojas concorrentes. Dessa forma, é possível descobrir qual é o valor real do produto que você deseja e se os descontos oferecidos valem mesmo a pena.

Além de deixar seu cérebro processar a emoção que está sentindo e evitar pagar mais do que deveria, uma simples pesquisa pode fazer com que você pense melhor e perceba que, na verdade, o produto não será necessário para o seu dia a dia. Assim, todo o planejamento financeiro que você realizou até aqui agradece!

Evitar ir às compras com o emocional abalado

Já ouviu falar que nunca devemos fazer compras com fome? Essa história é realmente verdadeira. De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade Cornell, em Nova York, ao fazer compras com fome, as pessoas acabam comprando mais no supermercado e enchendo o carrinho com alimentos ricos em calorias.

Se a fome é inimiga do consumo, a felicidade e a tristeza também não ficam para trás nos prejuízos para seu orçamento. Isso porque o consumo tende a crescer em momentos em que seu emocional está abalado, seja durante uma ida ao shopping para comemorar uma conquista ou em dias que quer se distrair e esvaziar a mente.

Por isso, é importante fechar um negócio apenas quando sua mente estiver totalmente focada nessa tarefa e jamais comprar caso esteja distraída. Afinal, certos sentimentos podem fazer com que você fique mais suscetível a gastos.

Confira outras orientações simples para fugir das armadilhas de consumo:

  • prefira adquirir produtos duráveis. Mesmo que custem um pouco mais caro, eles não serão descartados tão cedo;
  • evite passear por shoppings e se expor a propagandas. Quanto mais isso acontecer, mais você terá a impressão de que precisa adquirir produtos novos;
  • aposte em itens básicos e neutros ao fazer compras de roupas e decoração. Isso diminui as chances de você enjoar das coisas que tem em casa;
  • invista em ações de consumo colaborativo, troca e reúso de produtos;
  • preze por produtos duráveis e que tenham utilidade para sua vida. Uma roupa está na moda? Isso não quer dizer que você precisa dela.

Essas foram nossas dicas para que você consiga superar de vez o consumo desenfreado. Pode ser difícil no começo, mas com paciência e dando um passo de cada vez você terá ótimos resultados e verá o seu dinheiro render mais.

Se a educação financeira é importante para sua vida, pode ter certeza de que esse é um cuidado que seus amigos também precisam ter. Por isso, compartilhe este post em suas redes sociais e mostre a todos como adquirir hábitos conscientes de consumo!

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