Planejamento financeiro para casamento: 5 passos para se organizar

A sociedade está em constante evolução com costumes sendo permanentemente revistos e alterados, mas uma coisa não muda: quase todo mundo tem o sonho de se casar e formar uma família. E as estatísticas comprovam isso: nos últimos anos, a quantidade de casamentos realizados no Brasil tem crescido a cada ano.

No entanto, sabemos que a vida a dois não é sempre fácil. Existem muitos fatores que podem colocar pressão em um casamento, ajudando a desgastar a relação. Um dos principais motivadores de brigas e desentendimentos são as questões relacionadas a dinheiro. Todos conhecemos pelo menos um caso de relacionamento que passou por momentos conturbados devido a algum problema financeiro.

Para garantir que seu matrimônio não sofra com esse tipo de turbulência, o ideal é que o casal já comece a se organizar financeiramente desde o início do noivado, pensando não apenas na cerimônia, mas também em toda a trajetória familiar ao longo dos anos seguintes. Para isso, a melhor opção é adotar um planejamento financeiro para casamento.

Neste artigo, vamos mostrar a você o que é planejamento financeiro e como ele pode ajudar a organizar a vida do casal. Além disso, vamos mostrar 5 passos práticos para que você faça o planejamento financeiro do seu casamento, desde a cerimônia até o nascimento do primeiro filho. Confira!

A definição de planejamento financeiro

Em qualquer aspecto da vida, para conseguir atingir objetivos complexos ou de longo prazo é fundamental fazer um bom planejamento. Planejar é estabelecer, com base em uma meta predefinida, quais são os recursos necessários e as ações que devem ser tomadas para alcançar o resultado esperado, dentro do prazo estipulado.

Isso também vale para o ambiente doméstico. Nesse caso, o planejamento financeiro tem a função de organizar as finanças da casa, permitindo o controle adequado de gastos e o atingimento de objetivos financeiros, de construção de patrimônio, ou mesmo de desenvolvimento pessoal e familiar, como a educação dos filhos ou uma viagem de férias.

O processo de planejamento financeiro familiar não é complicado. O primeiro passo é registrar detalhadamente todas as receitas e despesas da casa, anotando os valores recebidos e gastos e classificando o tipo de despesa de acordo com sua categoria, como aluguel, alimentação, gastos com lazer e pagamento de dívidas.

Uma boa ferramenta para manter esse registro é uma planilha financeira, que facilita tanto a organização das informações quanto a sua análise. Se preferir, existem também páginas de internet e aplicativos para celular que simplificam esse processo de registro e análise de dados. Vale a pena experimentar algumas opções para ver qual delas é a mais adequada para as suas necessidades.

Com base nesse conjunto de informações sobre as receitas e despesas, é possível passar para a segunda etapa, que é a identificação de oportunidades de economia. Você deve verificar se existem gastos que podem ser reduzidos, buscando, assim, aumentar a parcela que pode ser reservada para a poupança. É importante lembrar que quanto maiores forem as economias mais rapidamente seus objetivos poderão ser alcançados.

Uma vez identificados os recursos que sobram após o pagamento de todas as despesas, devem ser selecionados os investimentos em que eles serão aplicados. A seleção das aplicações financeiras precisa ser criteriosa, já que seus rendimentos podem ser fundamentais para acelerar o alcance dos objetivos estabelecidos. Por isso, procure investimentos com baixo custo e que não estejam sujeitos a riscos excessivos.

Finalmente, sabendo quanto da renda será poupado e investido, torna-se possível estimar qual o tempo necessário para acumular os recursos necessários para atingir as metas financeiras. Uma boa sugestão é ser um pouco conservador nessa estimativa de prazo, já que imprevistos podem acontecer, e a frustração de uma expectativa muito alta pode acabar causando desmotivação no cumprimento do planejamento.

A organização de um planejamento financeiro para casamento

Como vimos acima, fazer um planejamento financeiro é muito importante para a organização doméstica e para o atingimento de metas pessoais e familiares. E o melhor momento para começar a planejar as finanças do casal é antes mesmo do matrimônio ser formalizado. Dessa forma, a vida financeira do casal já começará estruturada.

Tão logo a decisão de se casar tiver sido tomada, os noivos devem começar a conversar sobre os aspectos financeiros da futura vida em conjunto. É importante discutir profundamente os sonhos e aspirações compartilhados pelos dois, qual o padrão de vida esperado após o casamento e, ainda, como cada um encara os hábitos de consumo do parceiro, procurando alinhar expectativas e prioridades.

Além disso, também é fundamental se aprofundar nos detalhes mais práticos: quanto cada um ganha e gasta mensalmente, quanto dinheiro os dois já têm guardado até o momento, e se existem dívidas a serem quitadas. Essas informações são imprescindíveis para começar a organizar um planejamento conjunto para o casal.

Por fim, devem ser definidos conjuntamente os objetivos para curto, médio e longo prazos, desde a festa de casamento até a compra de uma casa ou de um carro, além do melhor momento para a chegada dos filhos. Para cada objetivo, devem ser estimados tanto o valor necessário quanto o prazo esperado. Mas lembre-se: essas estimativas são apenas orientadores iniciais, e não é necessário defini-las com muita precisão.

Apesar de muitas pessoas torcerem o nariz para conversas sobre esse tipo de assunto — considerado chato ou como uma potencial causa para brigas —, essa é uma etapa de preparação importante para a vida em comum, quando a cumplicidade do casal começa a ser estabelecida. É muito mais fácil se manter focado na busca de objetivos compartilhados do que se empenhar em metas com as quais não se está totalmente envolvido.

5 passos para um planejamento eficiente

Agora você já sabe a importância do planejamento financeiro para colocar ordem nas finanças domésticas e viu como nunca é cedo demais para planejar os objetivos financeiros de um casal. Para ajudar você a organizar seu próprio planejamento de casamento, vamos apresentar 5 passos fundamentais, que se referem a momentos distintos do matrimônio. Vamos lá?

1. Economize na festa, cerimônia e lua de mel

Nem mesmo a crise econômica que estamos vivenciando foi suficiente para afetar o mercado de serviços para casamento, o qual registrou aumento de 25% nos últimos três anos. Esse crescimento contínuo do setor tem reflexo direto nos orçamentos das festas, que acabam fugindo do controle do casal. Com isso, há muitos casos de noivos que já iniciam a vida de casados afundados em dívidas.

Para evitar esse mau começo, os noivos devem investir algum tempo planejando os gastos com cerimônia, festa e lua de mel. E, para isso, a primeira etapa é definir qual é o orçamento total, com base nos recursos de que cada um dispõe e na capacidade de economizar até a data do casamento. Partindo-se desse valor final, fica mais fácil analisar as situações em que é necessário abrir mão de alguns desejos e expectativas.

A etapa seguinte é preparar uma lista com todos os serviços que deverão ser contratados, para estimar os custos com cada um. Lembre-se de fazer um levantamento completo para que nada fique de fora do seu orçamento. Para isso, você pode pegar dicas com amigos recém-casados ou buscar informações na internet. Você vai descobrir que há vários serviços que certamente não seriam lembrados por sua própria conta.

Uma boa dica é organizar essas informações também em uma planilha, que pode ser usada tanto para registrar os custos totais quanto para planejar a distribuição das despesas ao longo do tempo. Dessa forma, você garante que os pagamentos não ficarão muito concentrados em alguns meses específicos, o que pode acabar provocando dívidas que poderiam ser evitadas com um pouco mais de organização.

A partir da lista de serviços, é hora de definir quais itens são prioritários para o casal, ou seja, quais os serviços que realmente vão fazer a diferença para que o evento seja memorável para os dois. As prioridades vão ajudar a definir que quantia do orçamento total poderá ser gasta com cada item de serviço.

Em seguida, deve ser feito um levantamento de fornecedores. Esse é outro momento em que você deve abusar das dicas de conhecidos que casaram recentemente, já que eles já gastaram bastante tempo fazendo a seleção dos prestadores de serviço disponíveis na sua cidade. Não hesite em perguntar bastante, sem medo de ser chato, pois seus amigos acabaram de passar pela mesma situação e, com certeza, vão entender.

Com base no levantamento, inicie a etapa de cotação. Se já tiver conseguido reunir um bom conjunto de informações com seus amigos, evite mandar solicitações de orçamento para muitos prestadores de um mesmo serviço — isso só costuma causar mais confusão e dificuldade para a tomada de decisão. De um modo geral, entre três e cinco cotações por serviço já devem ser suficientes para uma escolha bem-informada.

Por fim, crie um acompanhamento que compare os gastos previstos com o que foi efetivamente realizado e mantenha uma rotina de preenchimento e avaliação periódica do orçamento. Assim, você poderá identificar problemas antes que eles tomem uma dimensão preocupante e conseguirá realizar os ajustes necessários ao longo da contratação e pagamento dos serviços.

Pode parecer trabalhoso, mas esse processo de planejamento do casamento na verdade ajuda a poupar tempo, já que evita que a desorganização leve o casal a tomar decisões malpensadas — que podem causar dores de cabeça e esforços adicionais no futuro. Além disso, o planejamento é fundamental para que o orçamento definido inicialmente possa ser respeitado, evitando dívidas indesejadas.

2. Estabeleça um padrão de vida satisfatório

O passo seguinte é pensar em como será a vida após a lua de mel, quando os aspectos mais práticos do cotidiano começam a ser realmente administrados. Como mencionamos, quanto mais cedo os noivos começarem a conversar sobre suas expectativas a respeito do padrão de vida que terão juntos, mais fácil será buscar o melhor entendimento.

Nesse sentido, a questão número um a ser discutida é a moradia. Segundo o IBGE, as despesas com habitação são o maior item no orçamento das famílias brasileiras, consumindo mais de um terço de sua renda. Dependendo das escolhas do casal, essa parcela pode facilmente atingir 50% do orçamento familiar.

Além disso, a decisão de onde morar tem implicações em vários aspectos da vida, tais como o tempo para chegar ao trabalho, o acesso a comércio, serviços e opções de lazer, e a proximidade de outros familiares. Por esse motivo, é um assunto que deve ser analisado com bastante calma e cuidado.

São três os principais aspectos que influenciam o valor gasto com habitação: a localidade, o tamanho da moradia e a opção por imóvel próprio ou alugado. Cada um desses aspectos afeta e é influenciado por outras decisões financeiras. Por exemplo, o tamanho da casa está relacionado ao número de filhos que o casal deseja ter, e a localidade pode ajudar a definir a necessidade de ter um ou mais carros.

Isso nos leva às decisões relativas a transporte — que é o segundo item mais relevante no orçamento do brasileiro. Além da definição do número de carros que a família deseja possuir, também é fundamental escolher a forma de locomoção tanto para o trabalho quanto para os momentos de lazer.

Outro item que vale ser destacado é o gasto com alimentação — o terceiro mais relevante segundo a pesquisa do IBGE. Aqui, devem ser discutidos não apenas os hábitos de alimentação mais corriqueiros, mas principalmente os gastos com refeições fora de casa, que podem variar dentro de uma ampla faixa de preços.

Por fim, lembre-se de que há diversos outros pontos relacionados ao padrão de vida com os quais o casal precisa estar de acordo. É bom que estejam bem-definidas as expectativas quanto a viagens de férias, compras de roupas e gastos com serviços pessoais, entre outros, para evitar discussões futuras. A definição dessas questões será importante para que o casal consiga planejar — e respeitar — seu orçamento doméstico mensal, como veremos a seguir.

3. Estruture o orçamento doméstico

Com base no padrão de vida esperado e considerando também o recebimento de salários e outras fontes de recursos, o casal deve preparar seu orçamento doméstico. Ele é uma peça importante no processo de planejamento financeiro, pois ajuda a estabelecer metas financeiras mais detalhadas, o que facilita manter a disciplina que permitirá o atingimento de seus objetivos de longo prazo.

Antes mesmo de preparar o orçamento, deve-se decidir como será a divisão dos gastos. Muitos casais optam por considerar todas as receitas e despesas de forma conjunta; outros preferem tratar os gastos de caráter pessoal separadamente, tornando necessário definir uma contribuição mensal diferente para cada um.

Seja qual for a opção, o mais importante é que ambos estejam de acordo com a forma definida, e que não existam segredos nem mesmo nos gastos tratados como pessoais.

Partindo do registro detalhado das receitas e despesas, que já mencionamos anteriormente, deve ser definido um limite mensal de gastos para cada categoria de despesa, de modo a permitir que o casal tenha o estilo de vida desejado e também consiga, ao mesmo tempo, poupar recursos.

Para estimar o orçamento das despesas recorrentes, como luz, telefone, internet ou condomínio, o histórico recente pode ser usado como base. É interessante consultar as contas detalhadas para verificar se há alguma parcela que pode ser economizada ou que tenha um padrão mais cíclico de consumo (como é o caso da conta de luz). Dessa forma, você consegue fazer estimativas mais apuradas.

Deve-se ter cuidado especial com as despesas menos previsíveis, que não têm data fixa para ocorrer. Nesses casos, o ideal é fazer uma estimativa anual e dividi-la em parcelas mensais, tendo sempre em mente que o fato de não terem ocorrido despesas desse tipo em um determinado mês não significa que o dinheiro foi poupado e pode ser gasto com outra coisa.

Caso exista algum endividamento, é fundamental que isso esteja sendo considerado no orçamento com prioridade em relação aos demais gastos até que tudo seja quitado. Quando já estiverem livres das dívidas, é interessante incluir no orçamento também uma meta de poupança, visando aos objetivos de prazo mais longo.

Com o orçamento mensal definido, é importante estabelecer uma rotina periódica de acompanhamento para analisar se os limites definidos estão sendo cumpridos. Essa análise vai ajudar a identificar gastos que estão aumentando acima da previsão, permitindo que sejam feitos os ajustes necessários.

4. Comece a pensar na chegada dos filhos

Boa parte dos casais recém-casados já começa logo a sonhar com a chegada dos filhos. Como o nascimento de um bebê tem um grande impacto em todos os aspectos da vida dos pais, é muito importante que sua chegada também seja fruto de planejamento, inclusive do ponto de vista financeiro.

Por esse motivo, é necessário avaliar como cada estágio vai afetar o orçamento familiar. Durante a fase de gestação, os gastos com serviços médicos vão aumentar muito — e esse é o momento para avaliar a cobertura adequada de um plano de saúde. Além disso, serão necessários maiores gastos com roupas para gestantes e com despesas com transporte quando a futura mãe estiver com a locomoção dificultada.

É preciso pensar também nos gastos que precisam ser feitos antes da chegada do bebê, como a preparação do quarto e do enxoval, além de fraldas e outros itens de higiene. Aqui, valem as mesmas dicas do planejamento para a festa de casamento: fazer uma lista das necessidades e seus custos, identificar o que é prioritário e distribuir os gastos ao longo de toda a gravidez para que não fiquem concentrados nos meses finais.

Os primeiros meses após o nascimento também precisam ser previstos. O casal precisa se perguntar se vai contratar uma babá ou algum serviço de faxina da casa para desafogar a sua rotina como pais. Além disso, o bebê também vai provocar aumento nas despesas correntes, como luz, água e supermercado — o que precisa ser incluído no orçamento.

Por fim, lembre-se: é bom começar desde cedo a envolver os filhos nas questões financeiras da família para que possam desenvolver os hábitos necessários e também se tornarem adultos financeiramente responsáveis.

5. Invista no patrimônio da família

Além de todas as etapas iniciais da vida de casado, você precisa sempre pensar na estabilidade financeira de longo prazo para sua família. Um dos pilares da estabilidade familiar é a construção de um patrimônio que garanta sua segurança em momentos de crise ou a partir do momento em que sua empregabilidade começar a diminuir.

A base para construir o patrimônio familiar é a capacidade de acumular poupança ao longo do tempo — que precisa estar estabelecida no orçamento doméstico, como já mostramos. A poupança acumulada, quando bem-investida, permite o alcance do sonho de uma casa própria com um carro na garagem sem que seja necessário um endividamento excessivo.

Enquanto a poupança é acumulada, você deve planejar as aquisições, considerando novamente o padrão de vida e as necessidades da família, além dos impactos no orçamento mensal. Dessa forma, ao avaliar um imóvel, pense não apenas em suas características principais, como localização, tamanho e infraestrutura disponível, mas também nas despesas correntes com IPTU, limpeza e luz, entre outras.

A mesma preocupação vale para a compra de carros. É preciso levar em conta qual será o tipo de uso e sua frequência: o carro será usado para transportar os filhos diariamente ou apenas aos fins de semana? Será usado para trabalho? Questões como essas ajudam a definir qual é o veículo com melhor relação custo-benefício que atende às reais necessidades da família.

Uma excelente opção para a aquisição desse tipo de patrimônio são os consórcios. Com eles, você não precisa recorrer a um financiamento, evitando ter que pagar juros. Além disso, na maioria dos casos, você também economiza no preço de compra, já que consegue os descontos destinados ao pagamento à vista. E, como as parcelas são pagas mensalmente, também fica mais fácil garantir a disciplina de poupança.

Como mostramos até aqui, ter uma boa organização financeira é fundamental para garantir que os problemas relacionados a dinheiro — que eventualmente vão surgir na vida de qualquer casal — não afetem o casamento e a boa convivência familiar.

O planejamento financeiro para casamento é a ferramenta ideal para manter essa organização e permite atingir todos os objetivos, desde o início do noivado até a chegada dos filhos, apoiando também a construção de um patrimônio que garanta a estabilidade familiar no longo prazo.

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