Planejamento financeiro pessoal: o guia completo para se estabilizar

Sempre que pesquisamos informações sobre planejamento financeiro pessoal as buscas oferecem dicas voltadas para a gestão financeira e para produtos do mercado que ajudam a fazer o dinheiro render. Mas esse não é o único caminho.

Claro, é importante ter estratégias para multiplicar o que é poupado, mas o ponto principal está na fase de olhar para as despesas, enxugar o excesso e ter um novo comportamento diante dos desejos de consumo.

Para não chover no molhado, este post se propõe a apresentar algumas orientações que extrapolam o trivial quando se pensa em planos para equilibrar as contas. Aqui, também sugerimos algumas formas de internalizar, no dia a dia, uma nova postura em relação ao dinheiro que se ganha e que se deixa de gastar.

Siga a leitura e comece a ter uma nova experiência em relação ao seu bolso. Aprenda a tornar simples e natural a tarefa de valorizar o dinheiro que você consegue economizar, para, assim, realizar sonhos ou alcançar a estabilidade financeira. Vamos lá?

1. Qual a importância de um planejamento financeiro?

Um planejamento financeiro funciona como um instrumento para nortear o caixa de uma pessoa ou de uma família. Também ajuda a desviar de situações que podem levar ao endividamento ou ao comprometimento de planos, em função de surpresas que podem aparecer exatamente porque faltou organização.

Quem tem uma estratégia financeira evita a perda de controle e permite que situações inesperadas possam ser superadas sem impactos no padrão e na qualidade de vida. Além disso, quando metas estão estabelecidas e há foco e dedicação em cumpri-las, é possível gastar menos para fazer as mesmas coisas.

De maneira geral, um planejamento financeiro serve de guia para quem pretende juntar dinheiro e parar de desperdiçar com o que não é necessário. Ao seguir uma diretriz fica mais fácil se esquivar de impulsos de compras ou contratação de serviços que muitas vezes são subutilizados.

Esse tipo de plano é resultado de uma boa educação financeira, cujo princípio é: saber ganhar, gastar bem, poupar sempre e investir. O propósito final é o equilíbrio entre entradas e saídas e, ainda, a geração de uma reserva para emergências.

No fim das contas, o dinheiro passa a ser bem gasto, e as sobras começam a aparecer. Com o tempo, o pouco começa a se juntar com outro tanto e, em médio e longo prazo, o montante da tranquilidade financeira ganha corpo.

2. Quais as vantagens de planejar?

O planejamento das finanças pode ser o primeiro passo para criar um terreno fértil para a conquista de bens e para a vivência de experiências que dependem de dinheiro.

Mas as vantagens de planejar não param por aí. Veja outros benefícios:

  • ajuda a visualizar tudo o que entra e sai da conta individual (e dos membros da família, no caso de um planejamento familiar);
  • facilita a organização das despesas, permitindo priorizar o que deve ser mantido, o que pode ser racionado e o que precisa ser eliminado de vez;
  • permite estabelecer prazos para a realização das metas traçadas;
  • indica o que pode ser feito para alcançar cada objetivo;
  • mostra a evolução da postura do poupador e da capacidade de execução do que foi planejado;
  • provê uma visão do ponto inicial, dos marcos que devem ser vencidos e do quanto falta para atingir a reta final.

Mas de todos os pontos positivos que poderiam ser elencados aqui, vale a pena destacar um aspecto: planejar acaba com a dor de cabeça e a falta de tranquilidade causadas pela insegurança financeira. Isso realmente tira o sono e impede que novos voos sejam alçados rumo a uma condição material mais sustentável.

3. Como posso realizar um passo a passo para meu planejamento?

Chegamos ao ponto que interessa! Este tópico será dedicado a uma sequência de iniciativas e providências que podem ser tomadas por quem deseja elaborar e concretizar um planejamento financeiro eficiente.

Acompanhe o passo a passo para estruturar seu próprio método de gestão financeira, com base em organização e disciplina.

3.1. Conheça a fundo suas finanças pessoais

Não existe regra para a trajetória financeira, cada pessoa tem a sua e desenvolve uma forma de lidar com ela. Algumas têm uma característica inata de poupar, às vezes até são chamadas popularmente de mão de vaca. Outras cedem facilmente aos desejos e impulsos do marketing e se rendem a compras, muitas vezes supérfluas.

É preciso entender qual o seu perfil. Isso faz toda diferença na estratégia que será traçada para criar uma situação favorável à economia.

Você se considera uma pessoa consumista? Evite resolver coisas do dia a dia em shoppings, como pagamento de contas ou compra de remédios. Vá a estabelecimentos de atendimento exclusivo a determinada necessidade para que não haja estímulos que possam levá-lo a gastar o que não deve.

3.2. Tenha objetivos financeiros

Sabendo como é sua realidade financeira, olhe para a frente, para o que você deseja, e liste objetivos financeiros que precisarão ser alcançados para concretizar o futuro visualizado.

Seja realista, tenha o pé no chão. Delimite um escopo de realizações possíveis, cada uma com um tempo para ser cumprida.

Não adianta registrar que deseja ter uma casa com piscina se sua realidade financeira não permite ir com tanta sede ao pote. Por que não começar com o plano de aquisição de um apartamento menor, que acomode bem a família e que, depois de quitado, possa ser usado de entrada para financiar a moradia dos sonhos?

3.3. Entenda suas receitas

Você sabe quanto ganha todo mês? A resposta não é o seu salário líquido, ok? Recebe aluguel de algum imóvel? Sabe exatamente quanto rende a poupança ou a aplicação que você tem no banco? Esses valores precisam ser somados ao seu salário para que você tenha uma melhor noção para fazer projeções, comparando onde você está e onde pode chegar.

Para tornar esse saldo cada vez mais positivo, algumas atitudes podem ser tomadas, como buscar uma renda extra. Já pensou em revender algum produto e receber comissões? Tem tempo livre e sabe produzir algo de forma artesanal? A ideia é que você encontre oportunidades para ampliar as entradas de recursos no seu caixa.

3.4. Monitore suas despesas

Você sabe o que gasta todo mês? Toda semana? Todo dia? Pois é bom saber!

Um diagnóstico financeiro começa pela clara noção de tudo o que é gasto. Isso serve para classificar as despesas em grupos, priorizar os itens de sobrevivência e eliminar aqueles que simplesmente não agregam aspecto algum.

3.5. Corte itens dos seus grupos de despesas

Olhando para a organização das saídas, vá direto ao agrupamento de supérfluos, isto é, tudo aquilo que não contribui. Nessa classificação costumam figurar itens que só trazem a certeza de que é possível simplificar e não depender de coisas que não trazem qualquer tipo de benefício ao nosso cotidiano.

Então, com essa listinha em mãos, corte itens desnecessários. Sem titubear! Esqueça que um dia essas aquisições ou pagamentos fizeram parte da sua vida e siga em frente, convicto de que elas não pertencem mais a você. Elimine esse quadrante da sua tabela de despesas e foque em apertar o cinto nos outros também.

3.6. Aproveite a tecnologia

São muitas informações, itens de despesas, entradas que às vezes são esporádicas, metas e mais metas. É difícil organizar e manter tudo isso atualizado, não é mesmo?

Então, utilize soluções tecnológicas para ajudar. Existem planilhas eletrônicas, plataformas online e aplicativos para smartphone que podem ser extremamente úteis na tarefa de anotar, comparar, eliminar, alterar prioridades e prever quando o objetivo traçado poderá se concretizar.

3.7. Habitue-se a poupar

Poupar é a arte de considerar valores pequenos importantes e, por isso, se esforçar para não gastar à toa. Afinal, pouco dinheiro faz diferença.

É importante acionar o piloto automático nesse sentido. Ou seja, se a meta do mês era poupar 10% do salário, mas dessa vez sobrou 11%, não desperdice o excedente. Esse 1% pode parecer pouco, mas se a sobra se repetir, ela engordará o cofrinho e logo será a responsável por elevar o patamar estabelecido para a poupança mensal.

3.8. Aprenda a investir

Não adianta cortar gastos e sonhar que um dia sobrará tanto dinheiro que será possível tirar os objetivos do papel. É preciso fazer o bolo crescer, isto é, investir!

Para isso, comece a se informar sobre soluções financeiras do mercado, estude os números, acompanhe blogs especializados e assine newsletters de revistas eletrônicas sobre o assunto. É preciso acertar nas escolhas e diversificar a alocação dos recursos em soluções que rendem bem. E se bater aquela insegurança, é muito válido buscar a consultoria de corretores e administradoras de valores.

3.9. Revise seus objetivos

O tempo passa, a vida se transforma, novas necessidades surgem. É um emprego que muda, o dono da casa alugada que pede o imóvel, o carro que estraga ou o filho que não passa na faculdade pública.

E o que foi traçado no planejamento financeiro? Bem, as metas precisam se adequar. Quando a dinâmica pessoal ou familiar gera um novo direcionamento e os objetivos são outros, o orçamento também precisa ser adaptado. 

O que não muda é o método e a organização necessária para traçar rotas, que têm como objetivo manter um suporte financeiro para a nova situação que se apresenta.

4. Como adotar medidas para viabilizar um planejamento financeiro no dia a dia?

Acreditamos que é importante saber onde colocar o dinheiro economizado e escolher o melhor custo-benefício de produtos e serviços do mercado financeiro. Mas, antes disso, é vital tomar decisões inteligentes, moldar o comportamento e adaptar o cotidiano, de forma que a transição para uma cultura de economia seja tranquila.

Para facilitar a visualização do que pode ser feito, de maneira bem prática, criamos uma sequência de ações capazes de transformar seu padrão financeiro. São pequenas atitudes que podem fazer toda a diferença na conta final!

Fique atento às dicas e procure selecionar pelo menos metade delas para sustentar o seu planejamento pessoal. Acompanhe:

  • nunca gaste mais do que você ganha — guarde essa regra de ouro;
  • compare preços e evite fazer compras no primeiro ponto de venda que encontrar;
  • em compras online, use buscadores de preços e cadastre alertas em sites que permitem marcar o valor máximo que você pagaria em um produto;
  • sempre negocie descontos à vista e escolha não parcelar, para não perder o controle das prestações;
  • vá ao supermercado com uma lista de compras e leve apenas o que você realmente precisa.

Além disso, utilize o cartão de crédito com parcimônia. E se for realmente necessário usar esse recurso, faça um uso inteligente. Priorize as bandeiras e instituições com bons planos de fidelidade para que benefícios financeiros possam ser aproveitados, como troca de pontos por descontos na fatura ou, ainda, emissão de passagens aéreas que seriam pagas em dinheiro.

Uma boa ideia é negociar a anuidade do cartão, nem que para isso seja necessário trocar de administradora apenas para aproveitar promoções concedidas a novos clientes.

E atenção: evite contrair dívidas caras. Busque juntar o necessário para assumir custos à vista ou oferecer uma boa entrada para financiar um valor menor. Fuja ao máximo de juros!

Para economizar ainda mais, cancele serviços pouco usados ou opte por pacotes mais simples e baratos. Ademais, avalie o que pode ser racionado em casa, em termos de gastos com energia, água, telefone e internet.

Também é interessante trocar equipamentos e bens antigos que dão muitas despesas com manutenção, como carros que sempre precisam ir à oficina e que consomem combustível demais.

Em termos de lazer, organize um calendário para entretenimento e escolha filmes que realmente deseja ver. Não ceda à falta de programação para entrar na primeira sala de cinema ou casa de shows para assistir ao que nem lhe interessa tanto apenas para matar o tempo.

Isso também vale para outras opções de divertimento, que às vezes são feitas como obrigação e não cumprem o papel de trazer distração e relaxamento — e, ainda por cima, consomem seu dinheiro!

Livre-se da mania de presentear todo mundo do trabalho na volta de uma viagem ou no dia do aniversário. Escolha ocasiões especiais e pessoas mais próximas para dar presentes e fique no estilo lembrancinha para o restante.

Vá além e veja se há alguma oportunidade para ampliar sua renda. Estamos na era da economia colaborativa, e existem muitas maneiras para transformar conhecimentos e habilidades em formas de ganhar dinheiro.

E aqui vai uma dica importante: estabeleça uma meta de poupança mensal. O ideal é que seja um percentual fixo das receitas, porque isso forçará uma disciplina de valor mínimo a ser guardado, aconteça o que acontecer.

Além disso, busque apertar um pouco mais o orçamento para ir além do percentual fixado. Pegue um pouquinho mais e guarde separadamente, para servir como fundo de emergência. Não precisa ser uma poupança eterna, basta que seja alcançado o montante de 3 a 6 salários, conforme indicação de especialistas em orçamento doméstico.

Estude o mercado financeiro e busque se inteirar sobre opções para investir seu dinheiro. A caderneta de poupança é tradicional, mas existem opções mais rentáveis. Abra os olhos para investimentos de longo prazo, baixo risco e retorno garantido — como os consórcios — para aquisição de bens ou realização de projetos mais caros.

Por fim, viva conforme seu padrão de vida. Evite exageros e não tente impressionar ou agradar as pessoas. Foque em seus objetivos e nos de sua família, sinta-se apto a realizá-los, dê passos importantes e considere-se um vencedor diante do desafio de fazer mais com menos.

5. Como isso vai contribuir para minha rotina?

Colocar um planejamento financeiro em prática acaba facilitando o dia a dia de quem se preocupa em manter a estabilidade de seus recursos. Como consequência, surge outro ganho: algumas questões básicas do cotidiano vão ficando mais simples.

Um exemplo? Se você troca quatro cartões de crédito por um ou no máximo dois, fica mais fácil administrar seus gastos, uma vez que será necessário acompanhar menos faturas. Isso reduz o risco de se perder em contas que acabam sendo esquecidas.

Ainda na linha da economia doméstica, quando você opta por unificar serviços de telefonia, internet e TV fechada em um único pacote, além do desconto que provavelmente será oferecido, não será necessário providenciar o pagamento de faturas diversas ou acompanhar se todos os débitos em conta foram devidamente efetuados.

Outro ponto é que metas estipuladas seguem um fluxo para serem transformadas em realidade. Assim, um planejamento financeiro também deve descrever a maneira de alcançar cada um dos objetivos, o que servirá como um guia. 

Com esse recurso, uma sequência de tarefas pode ser cumprida, uma a uma, para encurtar o caminho entre o ponto inicial e a linha de chegada. Daí não é preciso quebrar a cabeça cotidianamente para conseguir economizar e fazer o dinheiro render, basta seguir o roteiro traçado no planejamento financeiro.

6. É possível realizar um bom planejamento em família?

Para quem não vive sozinho, realizar um planejamento coletivo é essencial, integrando todos os membros da família em torno de objetivos comuns.

Esse plano não deve ser de responsabilidade de um único membro, todos os envolvidos nos gastos da família devem colaborar.

Um orçamento familiar ajustado às necessidades e possibilidades da família é uma premissa da educação financeira. É também a base para garantir um futuro próspero para todos da casa.

Assim, planos de longo prazo deixam de ser considerados inalcançáveis, já que todos entendem que podem contribuir, de alguma forma, para que sobre dinheiro no final do mês ou para que entre mais do que o usual.

Quando todos estão unidos com o propósito de abrir mão de excessos e gastar apenas com o necessário, fica mais fácil viabilizar um plano cheio de cortes.

No momento em que as famílias desejam tirar o planejamento do papel, é comum que elas busquem produtos financeiros para começar a guardar e gerar rendimentos a partir das economias. Uma opção que vem sendo escolhida é o consórcio. Ele permite a aquisição de um bem em determinado prazo por meio de um pagamento mensal. 

Além de veículosimóveis, que são os itens mais comuns e procurados pelos consorciados, também é possível entrar em grupos específicos para aquisição de pacotes de viagens ou festas de casamento e formatura.

O importante é que todos os membros da família colaborem e entendam a economia de agora como um investimento para avançar em questões relevantes da vida, e não como um sacrifício.

Pensando mais à frente, um planejamento financeiro em família é como uma semente: ele permite que os membros que estão crescendo, e os que ainda nascerão, sejam mais conscientes ao consumir e ao gerenciar suas finanças.

O interessante é que, com essa postura, cria-se um círculo virtuoso calcado em uma mentalidade de valorização do dinheiro e do trabalho empenhado por cada um para gerar determinado recurso. Com isso, as próximas gerações já nascem com esse tipo de fundamentação e tendem a perpetuar essa visão de independência financeira e a forma adequada de lidar com o dinheiro.

Criar um planejamento financeiro é um passo essencial, mas ele não é feito para ser engavetado, nem para engessar a rotina pessoal e familiar.

É muito importante que ele seja revisto e remodelado sempre que novos desafios surgirem. Quando um fato novo ocorrer, é indispensável que os itens elencados, os prazos e valores calculados sejam revisados.

Imagine que ocorra uma gravidez não planejada. Essa é uma situação comum e que acaba pegando as famílias de surpresa, porque vem a sensação de que alguns planos terão de ser deixados de lado, já que uma necessidade prioritária chegou furando a fila.

No entanto, não precisa ser assim. É possível planejar com uma margem e ter uma base sólida para suportar necessidades conhecidas, assim como os imprevistos.

O ideal é que o planejamento financeiro pessoal ganhe ares de organismo vivo, que recebe atenção com frequência e responde ao cuidado recebido com o que, de fato, se espera: saúde financeira. Se esse ciclo se estabelecer, são grandes as chances de um futuro promissor em termos de estabilidade e sustentabilidade das contas.

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